Finalmente, na minha vida, essa grande decisão está a chegar, e eu estou assustada, sem saber que rumo hei de tomar. Porque de momento tenho duas opções, duas opções apenas que vão decidir tudo. Posso ser cobarde, ir por aquilo que é mais fácil, que custa menos, que não irá mudar a minha vida por completo. Posso acabar este ano e ir para Lisboa. Simples e duro. Volto a casa aos fins de semana, estou sempre perto da minha familia, daqueles que amo, estudo, falo a minha lingua, não há nada de mais simples.
Ou posso voar mais alto. Toda a minha infância sonhei ir para Londres estudar. Mas, como todos os meus sonhos, nunca pensei que alguma vez se realizasse. Eu sabia que não iria acontecer e conformava-me com isso. Estou habituada a ter sonhos despedaçados e, inconscientemente, já os despedaço eu própria, porque é mais fácil assim. É tão mais fácil viver com um sonho despedaçado do que realmente ter coragem de correr atrás deles... E eu não sou corajosa. Sou fraca, feita de papel, constantemente a sabotar-me a mim própria. Limito-me a desistir, sempre, e a viver com o sofrimento cá dentro. Porquê tentar sair da nossa pequena caixa quando vivemos na conformidade do nosso mundo? Agora tenho essa oportunidade. Todas as condições são favoráveis, basta lutar um bocadinho e, daqui a um ano, posso estar sozinha a viver e a estudar em Londres.
Se quero isso? Quero. E não quero. Eu simplesmente não sei. Porque a perspectiva de um dos meus sonhos se realizar nunca me passou pela cabeça. Mas é agora que começa a grande decisão que pode mudar a minha vida, e tenho de a tomar o mais rápido possivel. Mas não estou preparada. Não sei se consigo deixar tudo. A minha familia, os meus amigos para trás, a minha vida... Hoje os meus avós olharam para mim, ao almoço, e disseram: "vamos ter tanta saudades tuas, quando fores para Lisboa vamos visitar-te todas as semanas". E eu respondi: "e se eu for para Londres?". E a perspectiva de não os ter comigo, de uns ver através de uma plataforma virtual, e em carne e osso de 4 em 4 meses, dói tanto pensar nisso. E o meu irmão? Eu quero estar lá, vê-lo crescer, acompanhá-lo... Não quero olhar para ele e pensar: "Estás tão grande", quero dizer: "Ai ele está grande? Não sei, vejo-o o tantas vezes que nem reparo...".
Mas eu quero ir. Eu preciso de ir. Mas está tanto em jogo. E eu tenho medo de me acobardar, como faço sempre. Por isso todos os dias leio esta frase, e penso. Todos os dias penso um pouco mais, até ao dia em que vou acordar e saberei o que fazer. Porque esse dia tem de chegar, e esta frase vai ganhando cada vez mais significado:
“Twenty years from now you will be more disappointed by the things that you didn't do than by the ones you did do. So throw off the bowlines. Sail away from the safe harbor. Catch the trade winds in your sails. Explore. Dream. Discover.”
Melhor dos dois mundos: vais para lisboa e fazes erasmus, ve o lado positivo até podes conhecer novas cidades sem ser sempre londres. e não te preocupes que quem tu conheces lá ficas com amigos para a vida e quem sabe mais tarde eles virem cá visitar-te ou tu teres uma "desculpa" para ir aquele pais só por saudade. eu vou fazer isso
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