domingo, 28 de outubro de 2012

22.

Eu tento convencer-me que consigo. Não preciso de ajuda, consigo ultrapassar tudo sozinha, com ajuda de umas frases lamechas e de uma força que eu bem sei que não tenho. Mas é mentira. E é impossivel. Porque na teoria é tudo tão fácil, tão simples, mas na realidade eu acobardo-me, e enfraqueço cada vez mais. Reduzo-me à minha insignificância e sinto-me nada, um pequeno pedaço de nada.
As pessoas dizem que exagero, que não tenho razões para me sentir desta forma ao pé de outras pessoas, não tenho razões para me reduzir tanto ao insignificante e me considerar tão abaixo do resto do mundo. Mas o que é certo é que é algo incontrolável, e eu só quero sentir-me igual a toda a gente. Não superior, apenas igual. Quero olhar à volta e dizer: "estas pessoas não são melhores que eu". Mas tudo o que vejo é seres superiores e considero-me uma formiguinha ao lado do resto do mundo. Porque eu não presto, não sirvo para nada, ao contrário de todas elas.
E os anos passam mas eu continuo a sentir-me aquela menina pequenina que chorava quando a gozavam ou se ria com a mão em frente da cara com vergonha daquilo que era. E eu só quero abraçar essa rapariga e dizer que está tudo bem, quando se cresce essas coisas passam, vai tudo correr bem. Mas ainda não é possível. E não sei quando o será...

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